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Arlequim: a hora de se fazer a fantasia

 

 

 

 ARLEQUIM 

A hora de se fazer a fantasia

Roberto Hollanda & Renato Hollanda

João Pessoa: Marca de Fantasia, 2007, 60p, 14x20cm. 

ISBN 978-85-87018-73-1

É muito raro encontrar na HQ nacional, seja naquela publicada nas bancas, seja na dos fanzines, uma HQ que se paute pela criatividade livre e autêntica, pelas dúvidas existenciais do autor ou autores e pela vontade de apresentar aos leitores algo inovador na arte.

Por isso foi pra mim uma alegria muito grande quando me chegaram às mãos, pelos préstimos gentis de seu editor e autor, Roberto de Hollanda Cavalcanti, as primeiras edições do fanzine Arlequim, no ano de 1997.

Antes mesmo de lê-las eu já estava impressionado pela criatividade do editor na apresentação do zine, que inovava em vários aspectos gráficos e editoriais. Mas a satisfação maior esteve mesmo na leitura das HQs ali apresentadas, a saga surpreendente de Arlequim, uma entidade mágica poderosa em seu universo, que vem ao nosso mundo para corrigir problemas escapados do seu que estão afetando ambas as realidades de forma devastadora.

O universo de Arlequim é o universo das obras literárias. Nele os personagens dos livros estão personificados e o leitor acompanhará a aventura redobrado ao reconhecer nos personagens as citações sutis que Roberto Hollanda fez a várias obras da Literatura Brasileira, sempre com muita elegância, sem cair num mero jogo intelectual acadêmico.

Inevitável é compará-la a outra obra maiúscula da HQ internacional, a série A Liga Extraordinária, de Allan Moore e Kevin O'Neil. Nesta também os personagens dos livros assumem existência numa realidade alternativa típica da ficção científica praticada no mercado anglo-americano moderno. Porém cabe ressaltar que o mundo de Arlequim veio à luz pelo menos quatro anos antes de A Liga Extraordinária, antecipando de forma madura o que só iria acontecer muito depois no ambiente mais criativo e comercialmente bem sucedido da ficção do gênero e das histórias em quadrinhos internacionais. E sendo Arlequim fruto de um fanzine, esse mérito é ainda mais destacado.

Tanto que, em 1998, a SBAF - Sociedade Brasileira de Arte Fantástica - reconheceu-lhe o mérito, entregando a Roberto de Hollanda Cavalcanti o Prêmio Especial Nova - SBAF como a melhor contribuição à FC&F Brasileira naquele ano, justamente pela publicação do fanzine Arlequim.

Desde então, acompanho a história de Arlequim com satisfação, pois, mesmo depois de várias aventuras, Roberto Hollanda demonstra a cada edição que tem muito a dizer. E fiquei ainda mais entusiasmado ao saber que o autor preparava este álbum, no qual reúne os três primeiros capítulos da saga, com o roteiro mais detalhado e totalmente redesenhado.

César Silva - fragmento do prefácio do álbum