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O
Herói na Grécia antiga
A
partir da análise de A Ilíada, de Homero, e Édipo Rei,
de Sófocles, Wellington Srbek faz um estudo sobre a figura do herói
na Grécia antiga. A primeira parte do trabalho, intitulado O
poder do Rei, traça um perfil da sociedade micênica e sua
personagem central, o rei. Já em Agamenon, rei de Micenas,
segunda parte do texto, é feita uma introdução ao estudo da obra
de Homero. A terceira parte da monografia, A palavra do poeta,
relaciona o poema que narra os últimos momentos da Guerra de Tróia
com o contexto histórico em que ele surge, e com a sociedade grega
que surgirá a partir dele, inspirada em seus ideais. Desse modo,
Wellington parte do pressuposto de que Homero deve ser visto como
representante de uma instituição grega: os poetas inspirados.
O
autor considera que foi por meio do monopólio da palavra que se
construiu o poder na Grécia antiga: “A força dos nobres
origina-se nos ideais d’A Ilíada,
que além de narrar as batalhas, mostra-nos O
mundo dos deuses e dos heróis, como ele é visto pelos
gregos através das palavras de Homero. Um mundo no qual O
valor guerreiro é o bem maior.”
Foi
ainda por intermédio dos poemas de Homero que a Grécia estruturou
suas instituições, as relações sociais e seu pensamento,
inspirados nos ideais aristocráticos. Contudo, uma nova sociedade
surgiria ao longo dos séculos, fruto das relações sociais e tensões
de classes, afastando-se do mundo homérico. Para Wellington,
“como expressão dessa transição A palavra na polis adquirirá uma nova dimensão. Na medida em
que há uma mudança no estatuto do guerreiro e uma conseqüente
ampliação do espaço público, a palavra deixa de ser monopólio
de uma classe, abrindo espaço para A ascensão da democracia.”
É
essa democracia que se espalha por todos os espaços da cidade, cujo
cenário de novos protagonistas de uma nova história engendraria a
Tragédia, que se traduz no diálogo da cidade consigo mesma, “a
cidade em cena”. Neste contexto, os antigos heróis ressurgem com
novos referenciais: “De modelo para o Homem, o herói
transforma-se em um enigma: o que nos revelam As
faces de Édipo?” É sobre esta transformação do herói
da sociedade micênica à clássica que se debruça o trabalho de
Wellington Srbek, de forma clara, objetiva e com a leveza na
tessitura do texto pouco comum nos escritos acadêmicos.
O herói na Grécia antiga
Wellington
Srbek
Coleção
Quiosque nº 3
João
Pessoa: Marca de Fantasia, 2004. 64p. 12x18cm. R$10,00
ISBN
85-87018-32-9
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