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Um
humorista sem papas na língua |
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LUGARES
IN-COMUNS
Jaguar
Coleção
Biografix nº 1
João
Pessoa: Marca de Fantasia, 2007,
76p, 14x20cm.
INDISPONÍVEL
ISBN
978-85-87018-71-7
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O
cartunista Sérgio Jaguaribe, conhecido por Jaguar, foi um dos
fundadores do tablóide humorístico O Pasquim, no final da década
de 1960, considerado um dos maiores fenômenos da imprensa
brasileira. No Pasquim Jaguar
publicava o simpático e corrosivo ratinho Sig, com suas
frases de efeito e tiradas humorísticas. Foi também no jornal que
surgiu Lugares in-comuns, série de tiras irreverentes e hilárias
publicada semanalmente.
Jaguar
lançou vários livros, dentre os quais a
primeira edição de Lugares in-comuns, compilação das
tiras editada pela editora Codecri – a mesma do Pasquim –
em 1979, além de Átila, você é bárbaro, Nadie es
perfecto, Ipanema, se não me falha a memória e Confesso
que bebi, sendo este um roteiro etílico
sentimental da cidade do Rio de Janeiro.
As
tiras que publicamos é uma co-autoria de Jaguar, no traço, e Ivan
Lessa, no texto, parceria que se imortalizou nas páginas do Pasquim,
cuja sintonia se constata nesta surpreendente série. Lugares
in-comuns explora de forma irônica os chavões, os ditos, as frases feitas e
tiradas filosóficas populares, tão cheios de inventividade,
sabedoria e, por que não?, lugares comuns. A faceta de traduzir ao
pé da letra esses ditados tem o efeito irresistível do humor,
mostrando o absurdo de certas situações que de tanto serem
repetidas acabam nos parecendo naturais. Desse modo, tocar de ouvido
deixa de ser tocar por intuição para tocar com o instrumento
colado na orelha. Esse tipo de coisa até parece simplória, mas
vista pelo ângulo humorístico resulta numa sacada genial.
Num tempo em que qualquer discurso tinha a contingência de ser político,
como era comum aos textos, às charges e cartuns que pululavam no Pasquim,
certamente os Lugares in-comuns devem ter chocado certas
sensibilidades militantes esquerdistas. A ousadia de Jaguar e Ivan
Lessa estava também aí, em se permitirem a derrisão, a galhofa
quando a regra era se levar a sério, ainda que sob a chancela do
humor.
A coleção Biografix, proposta por Wellington
Srbek e Henrique Magalhães, tem como objetivo resgatar o trabalho
dos mestres dos quadrinhos e humor gráfico brasileiros, mostrando
às novas gerações alguns fragmentos das obras que tendem a se
perder no esquecimento devido ao mal crônico do descompromisso dos
editores comerciais. A retomada dessa série de Jaguar, portanto, não
poderia ser mais oportuna.
NOTA
DE ESCLARECIMENTO
Marca
de Fantasia suspende a produção de livro de Jaguar
A
edição do livro Lugares in-comuns, de Jaguar, foi
contestada pela editora Desiderata, que tem contrato de
exclusividade com o cartunista. Em telefonema no dia 9 de julho de
2007, a senhora Martha Mamede, representante da Desiderata, proibiu
a distribuição e venda do álbum lançado pela Marca de Fantasia,
alegando que estava em seus planos lançar este trabalho e que a
produção da editora independente iria tirar seu público.
As
justificativas da Marca de Fantasia são de que a edição do livro
de Jaguar tem o caráter de resgate da memória do catum brasileiro,
sem fins lucrativos e é destinada a colecionadores e leitores do
circuito dos fanzines, o que de forma alguma afeta o mercado
editorial. Por outro lado, a produção independente teria uma
tiragem inicial de 200 exemplares, podendo chegar a 500, de acordo
com a demanda. Apesar disso, a posição da editora Desiderata foi
intransigente, alegando que o autor precisa comer e pagar suas
contas e que não é esse tipo de edição que lhe vai dar sustento.
Diante
desse tipo de argumento, resolvemos acatar o que rege o contrato
entre Jaguar e a editora Desiderata e suspender a produção do
livro pela Marca de Fantasia, esclarecendo ao público os caminhos
acertados anteriormente por nós e o autor, Jaguar.
Há
um ano, em meados de 2006, fizemos o primeiro contato por telefone
com Jaguar, quando ele morava em Brasília, propondo-lhe a edição
de Lugares in-comuns, lançado pela editora Codecri em 1979 e
jamais reeditado. Jaguar concordou com a publicação, ciente que se
tratava de uma produção independente, sem fins lucrativos,
dirigida ao circuito paralelo de edição. Para isto, lhe seriam
destinados os 10% de direitos autorais a ser pagos em exemplares do
livro. O acordo verbal, no entanto, deveria ser depois ratificado
por meio de contrato, que lhe foi enviado em junho de 2007, com uma
prova do livro.
Neste
período, Jaguar assinou contrato de exclusividade com a editora
Desiderata, mudou de endereço para o Rio de Janeiro e não tivemos
mais contato. Quando foi possível encontrá-lo, em junho de 2007,
solicitei-lhe novamente autorização para a publicação do livro,
dizendo que a produção estava em andamento. Ele alegou que agora a
situação era outra, por causa do contrato com a Desiderata. Após
reforçarmos o caráter não comercial de nossa editora, Jaguar
concordou novamente com a edição, já que isto não iria se
confrontar com os interesses comerciais da Desiderata.
Lamentamos
que o meio empresarial tenha uma visão tão estreita da veiculação
dos bens culturais, visando apenas o lucro, sem se dar conta que a
veiculação paralela da obra pode levar mais leitores para outros
produtos do gênero produzidos com fins comerciais.
Lamentamos
a postura de Jaguar, que não se dispôs a interceder em favor da
Marca de Fantasia, alegando que não mandava mais em sua obra, que
quem decide tudo é a Desiderata. É incrível como os interesses
pecuniários continuem ainda hoje acima da integridade (no sentido
de plenitude, inteireza) autoral.
E
lamentamos a frustração por não contar com o título Lugares
in-comuns em nosso catálogo, que além de um justo resgate
cultural era uma produção afetiva, o reconhecimento e a admiração
de fã pelo trabalho de quem consideramos genial.
Henrique Magalhães – editor
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