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riso que liberta - ou as origens da caricatura |
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O
RISO QUE LIBERTA
Ou
as origens da caricatura
Wellington
Srbek
Série
Veredas nº21
João
Pessoa: Marca de Fantasia, 2007,
112p, 13x19cm. R$15,00
ISBN
978-85-87018-70-0
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O Riso que liberta: ou as origens da caricatura
originou-se da fundamentação teórica da tese de Doutorado de
Wellington Srbek pela Faculdade de Educação da UFMG. Trata-se do riso
que liberta do medo do desconhecido, da opressão social, das
convenções e preconceitos, enquanto princípio fundamental da caricatura.
Gênero de desenho ligado ao humor político moderno, a caricatura,
segundo a concepção apresentada no livro, tem raízes históricas
bem antigas, que remontam à Grécia arcaica.
Para
desenterrar essas raízes, Wellington foi buscar os conceitos
elaborados por Bakhtin sobre o “realismo grotesco”, que leva à
constatação da existência de toda um categoria estética à
margem da cultura oficial e dos padrões de beleza do classicismo,
hegemônicos no Ocidente nos últimos milênios. Bakhtin elege o carnaval
popular da Idade Média e início da Época Moderna como a
expressão mais intensa desse “realismo grotesco”, que tem como um de
seus elementos fundamentais o “rebaixamento” físico, corporal,
verbal, simbólico etc.
Srbek
reforça que "esse conceito se traduz na valorização da
materialidade e da vida, representadas por um 'riso popular
universal'. Neste sentido, as manifestações ligadas ao riso deveriam ter a mesma atenção e valorização daquelas ligadas
aos modelos de seriedade." Como diria Bakhtin, somente o riso, com
efeito, pode ter acesso a certos aspectos extremamente importantes
do mundo.
Segundo
a idéia defendida por Srbek, "esse riso
será a base da caricatura
moderna, manifestação de grande apelo popular, afeita a hipérboles
visuais e debochadas metonímias (que muito comumente votavam-se a 'rebaixar' os ricos e poderosos da sociedade). O que se
estabelece na Época Moderna é uma tradição estilística do humor
político, que liga nomes como William Hogarth e James Gillray a
outros como Francisco Goya e Grandville. Na verdade, segundo
confirma o estudioso das artes Hans Ernst Gombrich, estariam nas
caricaturas de um Honoré Daumier as origens da arte modernista ao
estilo de um Pablo Picasso, por exemplo."
Para
levantar as origens da
caricatura, Srbek valeu-se principalmente de reedições e coletâneas
críticas das gravuras e caricaturas dos referidos autores, bem como
de livros de arte sobre Leonardo da Vinci, Hieronymus Bosch e Pieter
Brueghel, que fazem a ponte entre a tradição popular grotesca e as
obras artísticas. O autor lembra que essa tradição crítica da caricatura será reeditada
no Brasil pelo pioneiro dos quadrinhos e caricaturas Angelo
Agostini, e por seus talentosos sucessores, entre os quais se destacam Ziraldo e Henfil.
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