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Osvaldo
Em
2001, a Editora Escala teve uma iniciativa admirável. Colocou na
banca uma revista em formatinho bem produzida ao preço de R$ 1,00.
A revista se chamava Frauzio, de autoria de Marcatti. Apesar
de não ser uma revista para todos os públicos – era desaconselhável
para menores de 12 anos, embora na prática destinada a um leitor de
maior faixa etária –, foi uma das melhores idéias já colocadas
em prática por editoras profissionais nos últimos tempos. Uma
quantidade razoável de páginas de qualidade gráfica muito boa a
um preço quase simbólico. A revista de Frauzio durou 6 números,
o que foi uma pena, pois merecia ter continuidade. Mas originou
outra iniciativa, chamada Escala Graphic Talents.
Esta
nova revista, nos moldes de Frauzio, mas com o preço já em
R$ 1,50, tinha como objetivo publicar em cada número um personagem
diferente para testar o público. Se as vendas fossem boas, o
personagem ganharia revista própria. A coleção durou 16 números
e os títulos publicados foram: Mico Legal de Sérgio
Morettini, Betty Grupy de Maxx, Tristão de Amauri
Ploteixa e Estevão Ribeiro, Talebang de Bier, Grump
de Orlandeli, Gamenon de Arthur Garcia e Silvio Spotti, Dálgor
de Dario Chaves e Chicuta, A Turma do Barnabé de Franco e
Vanderfel, Zé Louquinho & Urubunaldo de Wilson
Gandolpho, Zuzna de Alexandra Teixeira e Henrique Magalhães,
Leleco de Antonio Lima, Velta de Emir Ribeiro, Galo
Costa de Raí, Carcereiros de Nestablo Ramos Neto e
Eduardo Miranda, Os Pleistocênicos de Dadí, Lobo Guará
de Carlos Henry e Elton Brunetti. De todas, somente Mico Legal
teve revista própria com 3 números.
É
claro que me interessei pelo projeto, mas havia um empecilho de
cara. O autor teria que fazer toda a produção e entregar a revista
pronta num CD ou arquivo digital. Cabe um parênteses, isso inibiu
muita gente que produz coisas muito boas, mas não domina as
ferramentas computacionais. No meu caso, propus ao Antonio Eder uma
idéia, ele aceitou e fizemos da seguinte forma: eu criei a série e
dei indicação de como seriam os personagens, ele fez toda a arte e
produção gráfica. Escrevi o roteiro para uma HQ de 24 páginas
dividido em capítulos de 4 páginas. A revista teria ainda um texto
sobre os personagens antropomórficos dos quadrinhos, desde a origem
nas fábulas até os expoentes do começo do século XX. O
personagem mais famoso do gênero certamente é o camundongo Mickey
de Walt Disney, inicialmente chamado Mortimer, e que
substituiu um coelho graficamente muito parecido chamado Oswald,
cujos direitos Disney perdeu para seu distribuidor. Como uma referência,
decidi chamar o novo personagem, um coelho, de Osvaldo.
A
referência terminou no nome. O coelho que imaginei era uma
ex-cobaia evadida de um laboratório e que vivia aventuras pelo
mundo. A característica do personagem é que durante o tempo que
viveu no laboratório, entre os cientistas, aprendeu muito sobre ciência.
O enfoque das histórias seria tratar de temas científicos como
biologia, física, química, entre outros, sempre no contexto da
aventura. Osvaldo usaria seus conhecimentos em sua vida, para
escapar aos perigos, para ajudar os mais fracos, mas sempre com um
espírito debochado, pois esta é outra tradição brasileira, desde
os causos de Pedro Malazartes e as fábulas do jaboti,
passando por Macunaíma, até Didi Mocó e Bronco
Dinossauro.
Antonio Eder produziu o primeiro número e o editor
Dario Chaves aprovou, mas a coleção parou no número 16. Agora
este trabalho pode vir ao público graças à iniciativa da Editora
Marca de Fantasia. Espero que apreciem a leitura.
Edgard
Guimarães
Osvaldo
Edgard
Guimarães & Antonio Eder
Coleção
Corisco nº 5
João
Pessoa: Marca de Fantasia, 2006. 36p. 14x20cm. R$6,00
ISBN
85-87018-62-0
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