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O
PRÍNCIPE LÊ JORNAIS
Cotidiano
e poder no jornalismo impresso
Wellington
Pereira (org)
Série
Veredas nº 4
João
Pessoa: Marca de Fantasia, 2008,
100p, 13x19cm
ISBN
978-85-87018-79-3
R$14,00
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A
pesquisa contra a burocracia universitária
Quatro livros publicados em cinco anos. Isto é
pouco? Considerando os padrões europeus e norte-americanos para as
pesquisas no campo jornalístico, sim. Este é o resultado da produção
científica do Grupecj - Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o
Jornalismo do Departamento de Comunicação Social da Universidade
Federal da Paraíba, Campus I - João Pessoa.
Ao
somarmos as dificuldades materiais à falta de interesse da maioria
de nossos administradores universitários em financiar a publicação
de pesquisas, mesmo dispondo de editoras “universitárias”,
podemos afirmar que: pesquisadores que conseguem publicar seus
estudos são exceções, mas deveriam ser regras.
Nesses
cinco anos de existência, o Grupecj publicou a maioria de seus
trabalhos - um esforço coletivo que nos faz pensar na situação
excepcional alcançada por todos os membros do grupo. Mas, apesar do
esforço, assistimos à figuração tênue e frágil que representa
a relação entre os cursos de graduação e a formação de novos
pesquisadores.
Em
nosso país, as pesquisas são pensadas para além da vida
cotidiana: ora próximas ao mercado industrial, ora mistificadas
pelo pacto diabólico do Fausto, imortalizado na obra de Goethe.
Dificilmente,
pensamos sobre os saberes locais e suas configurações de ordem estético-social.
Por isso, os atores das Ciências Humanas, enquanto professores e
alunos, são discriminados em suas instituições ante os magníficos
efeitos de ciências distantes do cotidiano, propriedades de poucos
demiurgos.
Então,
haveria sentido pesquisar as relações que o Jornalismo (enquanto
produtor, intérprete e difusor de saberes) mantém com a vida
cotidiana? Sim! E este é o nosso esforço.
Pertencendo
a um modelo de instituição de ensino superior limitada a poderes
circunstanciais, fortalecida pelo medo de ser inteligente, haja
vista a intelligentsia preferir se esconder na arrogância burocrática,
fragilizando os súditos e os príncipes, seria mais fácil
desanimar, não pedir ajuda para publicar pesquisas: algo
“estranho” aos padrões das editoras universitárias.
Os
ensaios que passamos aos leitores são
frutos das idéias dos pesquisadores do Grupecj, cuja resistência
contra os “lambe-cus-universitários”,
para usar uma expressão usada por Weber contra a burocratização
das idéias, materializa-se na percepção de como o jornal impresso
pode nos ajudar a pensar as relações entre o espaço público, a
midiosfera e a política.
O importante é que o
leitor tem em mãos o quarto livro (em cinco anos) do Grupecj sobre
o poder e o cotidiano nos jornais de João Pessoa, capital da Paraíba.
E, ao ler estes parágrafos pode constatar que o nosso protesto
surtiu efeito: a publicação do livro.
Wellington
Pereira
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