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O
Rebuliço apaixonante dos fanzines
O
Rebuliço apaixonante dos fanzines,
baseado na dissertação de Mestrado de Henrique Magalhães, que foi
o primeiro trabalho acadêmico do gênero no país, aborda a história
dos fanzines desde seu início, na década de 1930, nos Estados
Unidos, até a produção brasileira da década de 1980. Mas o
trabalho concentra-se mesmo ha história dos fanzines no Brasil, que
teve sua primeira publicação em 1965, em Piracicaba, sob o comando
de Edson Rontani. Este fanzine pioneiro chamou-se Ficção, e
era o boletim do Intercâmbio Ciência-Ficção Alex Raymond.
Além
de definir o termo fanzine, o livro, ricamente ilustrado,
classifica esses magazines em vários gêneros, com fanzines de música,
literários, de cinema, além de quadrinhos, estes merecendo uma
atenção especial do autor. Inserido no meio da produção – pois
editava há anos suas revistas alternativas e seus próprios
fanzines – o autor sentiu-se à vontade para dialogar com os
editores de várias partes do país. A produção de fanzine é fluídica,
pulsa e vibra em qualquer recanto que tenha um mimeógrafo ou uma
fotocopiadora.
Por
fanzine, entende-se os boletins amadores, sem fins lucrativos,
feitos muitas vezes de forma artesanal (com colagens, impressos em
mimeógrafos ou fotocópias). São editados quase sempre em pequenas
tiragens e servem para a expressão livre de seus editores a
respeito de qualquer arte ou hobby. No Brasil, a maioria é
feita por indivíduos e não grupos organizados, mas eles mantêm
entre si um forte intercâmbio de publicações e informações,
criando uma verdadeira teia de comunicação e estreitando os laços
de amizades. Os fanzines servem para a crítica das publicações do
mercado, para o lançamento de novos autores e para as experimentações
gráficas.
Além
da história dos fanzines, o livro descreve seus vários momentos de
esplendor e crise, até a incansável busca de perspectivas e saídas
para a produção. Traz também uma introdução como referencial teórico
à pesquisa, com a definição de imprensa alternativa. Por outro
lado, os anexos mostram o processo de produção dos fanzines e a
descrição de dois fanzines chaves para esse gênero
de publicação: Quadrix, de Worney A. de Souza, e O Grupo
Juvenil, fanzine de nostalgia dos quadrinhos editado por Jorge
Barwinkel.
A
pesquisa chega até 1990, mas aponta para as novas tendências que
se confirmariam no decorrer da década seguinte, como a retomada da
produção e o aperfeiçoamento técnico com a disseminação da
informática.
O Rebuliço apaixonante dos fanzines
Henrique
Magalhães
João
Pessoa: Marca de Fantasia, 2003. 114p. 17x24cm. R$20,00
ISBN
85-87018-21-3
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