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Sertão é coisa de cinema |
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O
SERTÃO É COISA DE CINEMA
Matheus
Andrade
Série
Veredas nº 6
João
Pessoa: Marca de Fantasia, 2008,
76p, 13x19cm
ISBN
978-85-87018-84-7
R$12,00
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O
Sertão, com sua aridez, é o espaço geográfico e imagético mais
representativo do Nordeste brasileiro. A partir do século XX a seca
passou a representar simbolicamente a região, sendo que no cinema
nacional o espaço da seca ganhou destaque. Os cineastas escolheram
o Sertão para a composição de várias das narrativas que fazem
parte da história cinematográfica brasileira.
Essa
capacidade de representação, junto à verossimilhança inata,
atribui ao cinema um poder autoritário enquanto produtor de
sentido, operador discursivo e construtor de idéias. Dessa maneira,
o cinema brasileiro instaurou uma dada visibilidade no imaginário
social do país, propalou uma forma definida de pensar sobre a região,
contribuiu para instaurar uma maneira singular de se observar o
Nordeste através do espaço da seca.
Nesse
contexto, o modo como o Sertão nordestino em seus períodos de
estiagem é representado no cinema brasileiro dão margem para que
se coloque a questão: o Sertão é coisa de cinema? Se for ou não
coisa de cinema, o que interessa não é incriminar os cineastas por
mostrarem a miséria da região. Eles têm lá seus motivos.
Interessa, aqui, perceber a regularidade enunciativa com que se
apresenta o Sertão árido e miserável nos discursos fílmicos, num
jogo de imagens da secura nordestina no trajeto das produções.
Enquanto
se percebem os enunciados, contempla-se, conseqüentemente, mais um
estilo de filmes brasileiros: o Cinema
da Seca. De maneira didática e concisa, este trabalho aponta
como se constituiu o perfil do Nordeste como região da seca. Traça-se
um levantamento de quando e como o Sertão começa a ser
representado no cinema brasileiro, suas primeiras aparições, as
quais reverberam o discurso em questão sobre a região Nordeste.
Faz-se um levantamento de filmes que abordam essa temática em suas
narrativas, em perspectivas diversas. Enfim, relata-se dois
acontecimentos ocorridos na história do cinema nacional que
contribuem com a reflexão sobre o tema da seca no cinema. Isto propõe,
sobretudo, questões outras a respeito da visibilidade sobre o
Nordeste, pois todo esse espaço geográfico e imaginário não se
resume à seca.
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