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Tirinha:
a síntese criativa de um gênero jornalístico |
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TIRINHA
A
síntese criativa de um gênero jornalístico
Marcos
Nicolau
Coleção
Quiosque nº 19
João
Pessoa: Marca de Fantasia, 2007,
68p, 12x18cm.
ISBN
978-85-87018-72-4
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As
tirinhas com seu conteúdo ao mesmo tempo crítico e humorístico são
uma marca incontornável da linguagem das histórias em quadrinhos.
Elas foram responsáveis pela disseminação dos quadrinhos pelo
mundo, popularizando-os por meio de sua veiculação nos jornais diários.
As personagens caricaturais, mas cativantes, as tiradas
surpreendentes e de leitura rápida, próprias desse gênero de
quadrinhos, contribuíram sobremaneira para a formação do público
e para a confirmação de uma nova força expressiva nos meios de
comunicação de massa.
Surpreende-nos
que, apesar da popularidade das tiras e de seu rico repertório de
personagens, raros pesquisadores tenham se dedicado a estudar o fenômeno.
Talvez o fato de as histórias em quadrinhos terem amargado a
desconfiança do meio acadêmico e da sociedade em geral durante
tantas décadas tenha contribuído para que até a pouco elas ainda
fossem consideradas como uma subliteratura, um mero passatempo
muitas vezes acusado de deletério à infância e à juventude.
Se
as histórias em quadrinhos já gozam por alguns estudiosos do
status de arte – a nona arte, como querem os franceses –, as
tiras diárias humorísticas ainda são vistas como entretenimento,
colocadas ao lado dos passatempos que amenizam a sobriedade dos
jornais. É bem verdade que muitas tiras publicadas no país, que
nos chegam por intermédio das distribuidoras estadunidenses, não
passam de pura derrisão, alienadas do contexto político e social.
Essa superficialidade é quase uma condição para que a tira possa
se inserir nos mercados de diversos e díspares países.
Mas
o que dizer das tiras brasileiras produzidas a partir da década de
1970? Elas trazem consigo um conteúdo quente, de crítica política
e de costumes, retratando com aguçada ironia os paradoxos de nossa
sociedade. Esse tipo de tira humorística transita entre a charge e
o cartum, sendo ao mesmo tempo atual e intemporal, como ocorre com
Rango, de Edgar Vasques e Zeferino, de Henfil.
O
trabalho de Marcos Nicolau se debruça a investigar a tira quanto a
sua importância para o jornalismo, classificando-a como um gênero
opinativo de mesmo nível que um editorial. Esta premissa segue o
mesmo pensamento de Erico Veríssimo, que na apresentação do
primeiro livro de Rango, de Edgar Vasques, considera que cada uma de
suas histórias em quadrinhos vale por um editorial de jornal,
“mas um editorial realista, corajoso e pungente”. A proposta de
Marcos é amplamente válida e abre margem ao desenvolvimento de
outros estudos sobre o tema. Um olhar livre sobre as tiras é mais
que recomendável e urgente para resgatar do ostracismo acadêmico
uma das expressões mais originais e criativas de nossa capacidade
reflexiva.
Henrique
Magalhães
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