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Marca
de Fantasia -
uma editora em perspectiva
A
editora Marca de Fantasia, criada em 1995, resultou da experiência
com a edição de fanzines e o respaldo de alguns estudos acadêmicos.
Fazem parte desse histórico a publicação entre as décadas de
1970 e 1990 de vários números da revista em quadrinhos Maria,
dos fanzines de quadrinhos Marca de Fantasia e Nhô-Quim,
e a realização de dissertação sobre os fanzines de histórias em
quadrinhos no Brasil e tese sobre o modo de produção dos fanzines
franceses, portugueses e brasileiros.
A
Marca de Fantasia busca prestigiar os novos autores brasileiros,
favorecendo os trabalhos experimentais e revelando valores, além de
estabelecer o intercâmbio com a produção independente de outros
países. Seu processo de produção é artesanal, com pequenas
tiragens progressivas, mas procurando dar às publicações uma boa
qualidade gráfica.
Projeto editorial
O
projeto da Marca de Fantasia não poderia se restringir a uma
publicação. Como ocorre em outros países, a cena independente
brasileira parte para uma produção mais estruturada, com revistas
e livros com qualidade profissional. Na França os editores se
agrupam em cooperativas e mesmo os fanzines são editados por
associações, com organização e planejamento. A experiência com
os fanzines Marca de Fantasia e Nhô-Quim, além da
troca de informações com outros editores, motivou a criação de
um projeto editorial mais complexo. Foi a partir da observação do
mercado, com suas brechas no campo da edição de quadrinhos, que se
pensou em cinco linhas editoriais para Marca de Fantasia:
Revistas - A revista
Tyli-Tyli, que depois viria se chamar Mandala, marcou
a cena das publicações independentes no Brasil como a única
revista voltada para os quadrinhos de conteúdo poético. Havia em
meados da década de 1990 uma forte produção de quadrinhos
autorais com predominância da linguagem poética, seja na expressão
textual, seja na representação visual. Flávio Calazans, que
emprestou o nome de sua personagem para o título da revista, é um
dos artífices dessa linguagem, ao lado de Edgar Franco e Gazy
Andraus. O impacto da publicação foi tamanho que gerou estudos
acadêmicos e fomentou o surgimento de outros autores.
Com
o desenvolvimento do projeto da editora, outras revistas foram
criadas, como a Maria Magazine, voltado aos quadrinhos humorísticos,
em particular às tiras; a revista Quiosque, trazendo um
olhar crítico sobre as mídias; e a coleção Corisco, de
revistas com histórias em quadrinhos curtas ligadas a um tema ou
autor.
Na
categoria Revistas incluímos o fanzine Top! Top!, que presta
homenagem a Henfil, um de nossos maiores criadores - o top! top! é a célebre onomatopéia utilizada por sua personagem Fradim.
De caráter jornalístico, o fanzine apresenta resenhas, textos analíticos,
cartas dos leitores e entrevistas, além da veiculação da obra de
novos autores e recuperação dos trabalhos dos veteranos; o intercâmbio
com produtores e publicações de outros países possibilita o
conhecimento de novas expressões dos quadrinhos, a exemplo do
trabalho de artistas portugueses, cubanos e argentinos, já
publicados no fanzine.
Álbuns – Os álbuns
e livros apresentam as obras mais densas, podendo trazer coletânea
de cartuns ou quadrinhos de ficção científica, poéticos, humorísticos
ou de aventuras. O volume e o acabamento requintado caracterizam o
álbum, diferenciando-o do fascículo ou revista. Além de inúmeros
títulos já lançados, está previsto, neste formato, o lançamento
da série Biografix, com o resgate do trabalho dos mestres
dos quadrinhos brasileiros. Esta nova série será coordenada
conjuntamente com Wellington Srbek.
Uma
série particular de álbuns está organizada na coleção Das
tiras, coração, em parceria com Edgard Guimarães, onde cada
livro reúne o conjunto de tiras de um autor.
Nos jornais locais das cidades de porte médio circulam tiras de
autores praticamente desconhecidos no resto do país. Este quase
anonimato é o efeito da hegemonia cultural do Sudeste, que dá evidência,
quando muito, aos autores das metrópoles. Muitas dessas tiras,
produzidas nos estados periféricos, por vezes não circulam nem nos
fanzines, ficando restritas ao seu local de criação. Esta série
foi pensada para dar
visibilidade ao trabalho desses artistas e fazer o registro
dessa produção.
Livros
- Outros interesses também foram contemplados no projeto da Marca
de Fantasia, como a edição de livros com ensaios voltados à
cultura pop e as histórias em quadrinhos. Além dos títulos
avulsos, esta linha de produção viria se consolidar com a coleção
Quiosque, de livros de bolso, alcançando grande interesse do
público e repercussão no meio acadêmico. Recentemente foi lançada
a série Veredas, de ensaios com enfoque na produção dos
meios de comunicação.
Nosso
compromisso
A
proposta da editora Marca de Fantasia contempla, portanto, as
vertentes mais importantes dos quadrinhos independentes no Brasil,
que vêm sendo menosprezadas pelas editoras comerciais: fanzine - ou
revista de conteúdo jornalístico; revista de quadrinhos poéticos;
coleção de livros de tiras; álbuns e livros de quadrinhos; e
ensaios sobre quadrinhos e cultura pop. A preocupação conceitual
está na base do projeto editorial da Marca de Fantasia, que
desenvolve um trabalho sem interesses comerciais, mas com o objetivo
de divulgar e estimular a produção de quadrinhos no país.
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